Os desafios da Criatividade no Ambiente Corporativo

Hoje, ao se fazer uma busca superficial na internet, é possível constatar que fervilham artigos, textos, esquemas e workshops sobre maneiras de estimular a criatividade, e quais o passo-a-passo do processo criativo. São incontáveis as aulas que ditam lições sobre como ser criativo seguindo um modelo, dizendo o que pode e o que não pode ser feito nos caminhos da criatividade, que chego a cogitar que a indústria da auto-ajuda está explorando novos mercados.

Há quem leia coisas como “10 hábitos de pessoas criativas”, como se a criatividade fosse um conjunto de hábitos passíveis de serem copiados. Você usa determinada marca de café, estabelece sua rotina desta ou daquela maneira, e pronto, tornou-se criativo! Não se leva em conta, nesse tipo de literatura, que criatividade é um processo individual, com características e particularidades de cada um, e mais, em circunstâncias diversas.

Encontramos tantas fórmulas que estabelecem uma ditadura de como ser criativo que são a própria antítese do que se propõe. Quando um “guru” estabelece as regras e passos a serem seguidos, automaticamente decretou a falência da criatividade, por desrespeitar o ritmo e o tempo de cada pessoa.

Procuro, a partir desta reflexão, fugir do enquadramento generalista, e abordar a singularidade do processo criativo, enfatizando que cada um possui seus caminhos para chegar a resultados criativos (e percebam, que mesmo falando de uma pessoa, estou me referindo no plural) – e considerando, também, que todos sofremos influências do meio, das relações e das referências a que somos expostos (construção compartilhada).

Mais ainda, mesmo estando expostos às mesmas influências e referências, reagimos de formas diversas, de acordo com as particularidades ou singularidades de cada um. Quem foi criado com um ou mais irmãos sabe exatamente do que estou falando, os mesmos pais e as mesmas experiências, geram pessoas diferentes.

Esses conceitos grifados, são nomenclaturas da Filosofia Clínica, que utilizo como método de avaliação. A Filosofia Clínica é uma nova abordagem terapêutica, com conceitos fundados na filosofia. O método tem como pilar a narrativa da história de vida de cada pessoa (historicismo / fenomenologia), o respeito e a escuta a essa pessoa a quem é dado voz (empirismo) e o aprendizado do mundo do outro a partir de como este utiliza as palavras, em que contexto (analítica da linguagem).

Julgo importante essa abordagem, na reflexão sobre Processo Criativo, já que a Filosofia Clínica tem se mostrado relevante para além das paredes do consultório. Seu arcabouço teórico é bastante útil nas relações de trabalho, na medida em que traz a noção da singularidade, do respeito ao outro, tão necessário nos diálogos comerciais. Um dos destaques é a analítica da linguagem, que auxilia nas negociações empresariais, já que possibilita uma escuta ampliada e uma maior maleabilidade nas reuniões e acertos financeiros.

Vejamos também que a construção compartilhada nada mais é que uma bem-sucedida relação de trabalho, onde duas ou mais pessoas conseguem flexibilizar seus interesses, a ponto de chegarem em um resultado que favoreça a todos. Ou, ainda, construírem juntos alternativas a problemas empresariais e decisões estratégicas.

O conceito original, utilizado na clínica terapêutica, diz respeito à relação que se estabelece em consultório, de confiança mútua e construção de uma terapia que foge da relação saber-poder, e está focada no respeito ao outro. Preceito, no meu entender, fundamental para qualquer diálogo empresarial.

Outro conceito importante da Filosofia Clínica, quando falamos em criatividade, é o tópico comportamento-função (o motivo por que eu faço algo). Para algumas pessoas o ser criativo pode ser resultado e não um objetivo. Exemplo é aquela pessoa muito emotiva, que encontra na composição de poesias uma maneira de lidar com seus sentimentos. Ou aquela pessoa que tem a necessidade de organização para enfrentar o cotidiano, mas isso pode se traduzir em formas criativas de organizar as rotinas de uma empresa. As possibilidades de associações são incontáveis.

Também, no meu processo criativo individual, faço uso do submodo análise indireta, (onde se investiga a função de determinada decisão, a ação para levantar hipóteses e chegar na experimentação). Este recurso, no meu caso, é eficaz no processo de ensaio-erro que pode culminar com novas ideias, assim a hipótese e experimentação são essenciais para garantir um melhor resultado. Claro que, em se tratando de criatividade, assim como em Filosofia, o melhor resultado nem sempre é o absolutamente inesperado, o completamente inédito, mas pode ser o óbvio, aquele que está diante de todos e ninguém enuncia.

Quando preciso pensar em uma embalagem, por exemplo, o objetivo é fazer o consumidor se identificar, criar um laço afetivo (empatia) e diferenciar o produto da concorrência, ao mesmo tempo. Ao fotografar uma paisagem, a meta pode ser instigar, questionar, trazer conforto (ou mesmo desconforto) emocional a quem está apreciando.

As escolhas criativas percorridas neste caso, são orientadas a partir de um ponto de partida (a embalagem, a fotografia, a identidade visual). Mas o ponto de chegada pode variar no percurso, como nos ensina a Filósofa Clínica Rosângela Rossi, no caminho do saber, precisamos não saber.

O Filósofo Clínico no atendimento ao partilhante (não utilizamos a nomenclatura ‘paciente’), também lida com questões semelhantes, quando a escuta precisa ser ampliada, para que brote do outro sua historicidade (sua história de vida) e sua escuta de si mesmo. Muitas vezes essa escuta clínica é um lugar de conforto, acolhimento, a construção de uma intersecção positiva com o partilhante, e em outros momentos, após o estudo da Estrutura de Pensamento (como a pessoa está sendo no momento), pode se configurar pelo agendamento máximo (quando o terapeuta conduz o partilhante por um conjunto de ideias), ou informação dirigida (indicação de livros ou filmes), em espaço de desconforto, trazendo o partilhante da inversão (processo instrospectivo).

As possibilidades de pontos de contato entre estes dois temas são um universo. O fundamental aqui é entender algumas possibilidades de uso para, a partir disto, o leitor desenvolver seus próprios caminhos.

Dizer que existe uma maneira específica de agir para ser criativo é tolher a capacidade individual de gerar novas ideias e tentar engessar a criatividade como um modus operandi, uma fórmula. Mais que isso, significa restringir o status de “ser criativo” a uma classe elitizada de artistas, quando para nos relacionar em sociedade agimos de forma criativa o tempo todo.

Ao falar em produção cultural, de um show de música, por exemplo, tem a autoria dos artistas envolvidos, mas não se concretiza sem a presença de um público, que aplaude, canta junto e prestigia o evento. Em todas manifestações culturais falamos destes dois elos; do artista de rua que simula uma estátua e recita uma poesia quando o passante doa uma moeda, ao escritor épico, trancado no seu gabinete produzindo uma obra a ser premiada, lida e aclamada; de um artista que se alimenta do impacto da sua obra no outro; e deste outro, que se alimenta da arte… A criatividade forma assim uma malha viva, perpassando de um a outro, influenciando e gerando mais arte, ciência, tecnologia, e o que mais for possível ser pensado pelo homem.

Domenico De Masi busca fazer uma arqueologia do processo criativo, remontando aos primeiros hominídeos:

“(…) o nosso hominídeo (….) tinha também os seus pontos fracos: não conseguia morder com a mesma força dos outros animais, seus concorrentes, e devia dedicar mais tempo que os outros à criação da prole, que se tornava auto-suficiente somente muito tempo mais tarde do que os outros filhotes.

Mas o Homo Sapiens soube fazer com que o mal viesse para o bem: a fraqueza das mandíbulas foi compensada com a capacidade de comer todo e qualquer tipo de alimento e com a invenção dos utensílios, enquanto o tempo ‘desperdiçado’ com os recém-nascidos e com as crianças foi valorizado com fins de transmissão cultural de geração a geração. (…)

A imperfeição, assim como a tenacidade e a coragem, é um ingrediente essencial para a criatividade, à qual fornece o espaço para se desenvolver e o estímulo para aguçar-se”.

Isso coloca nossa capacidade de criar a cultura como um dos pontos fundamentais no processo de evolutivo. Você pode não ter a desenvoltura do artista, mas com certeza o fato de estar assistindo irá imprimir uma marca na sua singularidade. Os resultados da soma das diversas marcas, ou referências às quais estará exposto ao longo da sua trajetória, é o que vai constituir o que chamamos em Filosofia Clínica de Estrutura de Pensamento, e vai estabelecer sua capacidade criativa.

Assim, não podemos ‘medir simplesmente’ a criatividade de cada um. Criativos todos nós somos. Alguns fazem disto seu sustento (meu caso). E outros se utilizam da criatividade como recurso para lidar com as situações do dia-a-dia. Estou falando em trocar um ingrediente de uma receita culinária, escrever uma carta de amor, tirar uma foto durante as férias ou até mesmo escolher uma combinação de roupas para uma festa. Todas as ações que definimos como culturais têm seu fundamento na criatividade.

Claro que estamos tratando nestes casos de doses homeopáticas de criatividade, mas as grandes invenções na história da humanidade também foram um resultado coletivo, ou ainda, construção compartilhada.

Quando Gutenberg inventou a imprensa no século XV, baseou-se na observação do processo de prensar as uvas para produzir o vinho. Daí surgiu a prensa, que transferia a tinta de tipos móveis para o papel. Ainda no caminho criativo da confecção da primeira Bíblia, os textos imitavam letras cursivas, pois Gutenberg acreditava que as pessoas só iriam reconhecer o texto se fosse idêntico aos livros copiados à mão, que era o que existia até então.

Como definir então uma linha do caminho criativo de Gutenberg, ou ainda por que não atribuir esta invenção a um conjunto de pessoas envolvidas? A princípio temos indícios sobre como ocorreu, praticamente, a invenção da imprensa, e se fôssemos ampliar esta arqueologia criativa, provavelmente o ponto inicial seria o primata que passou a usar pela primeira vez a pedra como artefato.

Sabemos, através de pesquisas históricas, no caso de Gutenberg, havia uma preocupação que as primeiras Bíblias impressas fossem aceitas como produto a ser comprado. Mas quantos outros caminhos criativos são possíveis?

Este ano tive a oportunidade de ler “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll, e não pude deixar de notar essa passagem:

“Havia portas ao redor de todo o saguão, mas estavam todas trancadas. E depois que Alice percorreu todo o saguão de um lado para o outro, tentando abrir cada uma das portas, caminhou tristemente para o meio da sala, perguntando-se como é que iria sair dali.

De repente, viu-se diante de uma mesinha de três pés, toda feita de vidro maciço. Não havia nada sobre a mesa exceto uma diminuta chave de ouro, e a primeira ideia de Alice foi que talvez pertencesse a uma das portas no saguão. Mas ai! Ou as fechaduras eram grandes demais, ou a chave era pequena demais, o certo é que não abria nenhuma das portas. Entretanto, na sua segunda tentativa, descobriu uma cortina baixa que não tinha notado antes, e atrás da cortina havia uma portinha de uns quarenta centímetros de altura. Ela tentou enfiar a chavinha de ouro na fechadura e, para sua grande alegria, serviu!”

Quando trabalho em um novo projeto, meu caminho é menos Gutenberg e mais Alice, sempre me perguntando o que vou descobrir no trajeto. Muitas vezes, quase sempre, as chaves não servem, ou quando servem (ai) eu não tenho a altura suficiente para passar pela porta. É essa inquietação que possibilita novas maneiras de ver a mesma situação.

Mas acredito que cada um possui um próprio caminho, como Alice foi experimentando as chaves, e Gutenberg observando as uvas se tornarem vinho. Para alguns é através da angústia diante uma página em branco, para outros realizar pequenos rituais pessoais (abrir e fechar a geladeira, apreciar um café forte, acariciar o gato, ouvir uma música especial).

A lógica presente no meu processo criativo passa algumas vezes por desconstruir o problema em partes, em pensar no público que vai ler este texto, por exemplo, ou comprar um produto no supermercado, ou ler o livro que está sendo editorado. Em outros momentos, desligo do outro (saio de recíproca de inversão) faço uso de hipóteses absurdas, sem sentido, referências clássicas e futuristas, imagino cenários ideais (roteirizar) e me transporto para eles.

Nesse sentido, muitas vezes me coloco na lógica do absurdo para criar um novo trabalho. Claro que essa técnica, chamada de brainstorming, já existe nas agências de publicidade há um bom tempo. E se pensar a partir desta lógica é um eterno se repensar, reescrever a obra que nunca estará terminada, como diria Drummonnd.

Ouvindo a música da Marina Lima, sucesso na década de 90, “Grávida”, identifico muito das situações que fazem parte do meu cotidiano:

“Eu tô grávida / Grávida de um beija-flor / Grávida de terra / De um liquidificador / E vou parir / Um terremoto, uma bomba, uma cor / Uma locomotiva a vapor.”

Trato aqui de como a criatividade passa por processos de gestação, que pode levar tempos variados, assim como resultados variados. Então a criatividade se manifesta pelo brainstorming, pelos rituais pessoais, ou por tantos infindáveis processos criativos, impossíveis de serem enumerados. Cada indivíduo tem seus processos criativos próprios e, mesmo em cada indivíduo, para cada situação são variados, como um conjunto de infinitos particulares.

Os caminhos que me levam a escrever esse texto são completamente diversos dos que vou trilhar para criar uma peça gráfica, diferentes ainda dos utilizados ao fotografar. São muitas bifurcações de uma mesma estrada, onde a beleza está em descobrir as paisagens que cada curva esconde.

Pontos de contato entre Filosofia Clínica e Criatividade

Quando cursava a faculdade, um colega me relatou uma experiência interessante. Ele estava na terceira série primária quando a professora ensinou o conceito de infinito, e aos 9 anos seu raciocínio foi de que, se existia o infinito para fora de cada um, também existia para dentro. Essa imagem poderosa tem estado presente na minha vida, e cada mergulho nas possibilidades criativas não deixa de ser isto, uma viagem ao infinito de referências ext

ernas (recíproca de inversão) e um outro mergulho de referências internas (inversão), para realizar projetos (papel existencial, expressividade, esteticidade seletiva).

Como já venho tratando ao longo de todo texto os conceitos de Filosofia Clínica, gostaria de resaltar a importância da dicotomia singularidade x construção compartilhada.

A princípio quando Salvador Dali pintou os famosos relógios derretidos, até que ponto ele estava sendo criativo? Ou o olhar do outro sobre a sua obra está atribuindo criatividade? Até que ponto estava simplesmente retratando a sua própria visão do tempo, que se derrete constantemente?

O que para uns pode ser criatividade, para outros pode ser representação de mundo (como o mundo parece), eis o motivo central que torna impossível engessar a criatividade em fórmulas e receitas. O que, a partir do meu olhar, é somente uma descrição literal do que estou vendo, para o outro ao meu lado pode ser uma expressão absolutamente inédita, impensada.

Quando o artista concebe sua obra está fazendo uso da esteticidade seletiva, da expressividade, para expressar sua singularidade, mas todo artista tem referências visuais e conceituais utilizadas no seu processo criativo, e mesmo a interpretação que esta obra vai ter de outras pessoas não deixa de ser uma construção compartilhada.

Já no início do século, Vygotsky falava que:

“No cérebro ocorre algo semelhante ao que acontece com uma folha de papel quando a dobramos ao meio; no lugar da dobra fica uma marca que é o resultado da modificação produzida; a marca da dobra ajudará na repetição dessa mesma modificação no futuro. Basta soltarmos a folha para que ela dobre no mesmo lugar onde ficou essa marca.

O mesmo acontece com a marca deixada pela roda na terra mole: forma-se um caminho que fixa as modificações efetuadas pela roda ao passar na terra e que facilitará futuramente a passagem por esse mesmo lugar. Isso também ocorre com o nosso cérebro, em que as excitações fortes ou repetidas com frequência deixam marcas semelhantes. (…)”

A criatividade rima com plasticidade e tudo isso constrói a bagagem que acumulamos. Para montar este trabalho, foi necessário fazer pesquisas, conversar com colegas, ler livros, alguns deles emprestados, ou seja, ativar uma rede relacional semelhante a uma rede de neurônios, o que torna essa malha de relacionamentos também parte integrante dos seus resultados, e constitui uma construção compartilhada.

Quem assistiu a um filme da década de 90, chamado “As Aventuras do Barão de Münchhausen”, talvez recorde que quando o personagem central ficava desestimulado, sem esperança, ele envelhecia rapidamente. Porém, quando ele sonhava e realizava as façanhas mais absurdas, ele rejuvenescia. Em termos de criatividade e Filosofia Clínica podemos utilizar esse mesmo recurso, ou ainda, quando uso o submodo roteirizar para imaginar novos cenários, ou vice-conceito para buscar imagens que transmitam uma mensagem, ou ainda escuto uma música, percepcionar, para impulsionar ideias, estou fazendo como o Barão, rejuvenescendo minha capacidade criativa. E mesmo quando cito este filme, estou utilizando uma informação dirigida para transmitir uma ideia.

Em clínica, como terapeuta, além de ter todos estes termos teóricos aprendidos, também se faz necessário, diante do partilhante, ter esquecido tudo isto. Ser somente um espaço de escuta atento, uma folha em branco, na qual será desenhada, em conjunto, a relação terapeuta-partilhante.

O que não é diferente do trabalho em corporações, médias e pequenas empresas. Vai ser a partir de uma rede de contatos (relacionamentos construídos através da escuta), que o empreendedor consegue consolidar sua empresa. Mesmo quem é funcionário, vai crescer no ambiente corporativo na medida da sua capacidade relacional.

Esse repensar todo o tempo como ser criativo, estabelece uma construção, a cada clínica, a cada momento no ambiente de trabalho, uma escuta cuidadosa, como quem descobre uma receita, e resolve trocar a farinha pela aveia, (re)inventando assim algo novo com ingredientes já conhecidos.

Convido também, a você que compartilha essa leitura, procurar o seu processo de autogenia, de re-invenção, como o Barão de Münchhausen, que levanta a si mesmo, montado em seu cavalo, do fundo do mar, e retoma uma trajetória de aventuras.

Mais que isso, convido você a refletir, a partir da sua trajetória singular, onde se manifesta a sua criatividade, e de que maneira isso pode melhorar seu cotidiano no trabalho.

Só poderia finalizar essas linhas com um pouco mais de Alice no País das Maravilhas:

“(…) Visite quem você quiser, são ambos loucos.

– Mas eu não ando com loucos, observou Alice.

– Oh, você não tem como evitar – disse o Gato – somos todos loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca.

– Como é que sabe que eu sou louca? – disse Alice.

– Você deve ser, senão não teria vindo para cá.

Pequeno glossário de termos de Filosofia Clínica (utilizados neste texto)

Singularidade – o que diferencia cada pessoa e a torna única

Construção compartilhada – tomada de decisões em conjunto

Historicismo (empirismo) – a trajetória de vida de cada um

Fenomenologia (como o mundo parece) – como cada pessoa vê o mundo

Hipótese – o que a pessoa está pensando para solucionar determinado problema

Experimentação – o que a pessoa está fazendo para solucionar determinado problema

Análise Indireta – resultados dos tópicos anteriores, a pessoa elabora a hipótese, faz a experimentação, e em chegando ao resultado desejado, parte para a ação

Analítica da Linguagem – como e em que situação cada pessoa emprega a linguagem

Comportamento-função – o porque se assume comportamentos específicos, como quem procura uma academia para perder peso – comportamento = frequentar uma academia / função = perder peso

Partilhante – a pessoa que procura o atendimento em Filosofia Clínica

Estrutura de Pensamento – aquilo que a pessoa está sendo no momento, suas escolhas e sua singularidade

Agendamento mínimo – procedimento da Filosofia Clínica que consiste em ouvir o partilhante sem interferir na narrativa

Agendamento máximo – procedimento da Filosofia onde o Filósofo conduz o partilhante por um conjunto de ideias

Informação dirigida – procedimento da Filosofia Clínica que consiste em indicar ao partilhante um livro, um filme, uma música, que traga questões abordadas em clínica

Inversão – quando a pessoa permanence introspectiva, no seu mundo e traz os outros para a sua experiência individual

Recíproca de inversão – quando a pessoa está aberta a ouvir a experiência do outro

Roteirizar – quando o Filósofo Clínico idealiza cenários, para transportar o partilhante a alternativas da sua situação atual

Papel existencial – os papéis que cada um assume na sua vida, seja na família, seja no ambiente profissional.

Expressividade – o que cada um é em relação ao outro, como demonstra sua singularidade

Esteticidade Seletiva – a capacidade de cada um de se expressar através da criatividade

Submodo – é a maneira que cada pessoa expressa aspectos da sua singularidade

Vice-conceito – o uso de figuras de linguagem e poesia para se expressar

Percepcionar – o ato de estar atento aos sentidos

Autogenia – processos de mudanças internas que cada um passa ao longo da vida